Nacionalizações, Eleições Revoluções e Salários Mínimos

(Esta é uma versão editada do que me saiu de rompante no Facebook)

O meu amigo do BE, social-democrata confesso -da ala esquerda é certo, Luís Filipe Pires respondeu a um meu post no FB que comentava uma declaração do 1º Ministro como a imagem documenta.

Para o Luís a vida é simples: leis ou Revolução. Ah mas há as eleições…

Boa pessoa e bem intencionada , Luís não se devia esquecer que de boas intenções está o inferno cheio.

Neste caso, o Diabo, ou Deus, ou o Luís por eles, deram-me o ensejo de falar de eleições, sua utilidade e mais uma ou duas coisas.

Para já o meu problema não é bem que se elejam deputados.

O meu problema é que se promova o cretinismo parlamentar, se reduza os partidos em eleitores e, quanto muito, alguns “activistas sociais” que colocam em caixinhas estanques as «suas lutas», se degladiam entre si e não ajudam novos activistas a integrarem-se.

Sabes, com a dívida diferença, era preciso que no Parlamento estivessem deputados da cepa do Américo Duarte, o Manuel Monteiro (ambos da UDP), o próprio Acácio Barreiros (também da UDP antes de desertar) ou até o Coelho do PTP (ex-PCP), que está sujeito a pena de prisão por delito de opinião, sem que ninguém na esquerda levante a sua defesa.

Tenho uma secreta esperança no Falcato Simões, (independente nas listas do BE) mas não digam nada a ninguém…

Ou seja, sou contra o cretinismo parlamentar bem como o cretinismo anti-parlamentar.

Assim, votarei Socialismo contra o PS.

Já agora, uma pequena história:

Há cerca de 2 anos, talvez mais, o então Socialismo Revolucionário, hoje Esquerda Revolucionária, avançou com a reivindicação do SMN de 900€.

Que éramos «malucos» «esquerdistas», «desligados da realidade» «ninguém aceita isso» disseram muitos do BE e do PC.
Ok, para nós havia que provar isso um pouco na prática. Portanto desde aí, regularmente nas nossas bancas, distribuímos esse panfleto.

Também o usamos na campanha autónoma da nossa organização de apoio à candidatura do BE em Benfica, Lisboa, quando batíamos porta a porta com o nosso apoio ao BE e mais as nossas próprias propostas.

E conversamos com as pessoas comuns.

Que , de inicio repetem, grosso modo, o que é dito em cima.

Explicamos que é possível, basta que o governo não enterre mais dinheiro para salvar bancos, cancele a divida, ponha os grandes grupos económicos a pagarem impostos como pagam os trabalhadores, encontrará dinheiro para isso e muito mais, damos pistas mas reforçamos uma coisa: é necessário que os trabalhadores se organizem, nos sindicatos, nos partidos de esquerda, discutam e ajam em conjunto.

A grande maioria das pessoas com que falamos terminam a dizer que faz sentido o que dizemos mas não há um partido que avance para ai. Ou seja, a nossa hipótese mostrou-se correcta: há base para uma luta séria para um aumento sério do SMN.

(Um aparte que vale a pena recordar: O tema central da campanha oficial do BE foi a recusa da EMEL em Benfica. O mesmo senhor que se agigantou contra o Esquerda Revolucionária e avançou com a infamante acusação de fraude e justificou mais umas expulsões de militantes de esquerda do BE, acabou por ser, devido às negociatas do Robles, como o Vereador que se absteve numa votação crucial: a EMEL está em Benfica!)

Entretanto e eis que por milagre, o Arménio Carlos anunciou no 1º de Maio que a CGTP apresentava como reivindicação para 2020 o SMN de 850€ !

Pouco depois, o PC avançou com 900€, para cair agora recentemente para os 850€!

Quanto ao BE é muito «moderado» apontado para 650€ de proposta de SMN no seu programa eleitoral, creio. Dispensa comentários, não é?

E, como é claro, não tenho nenhuma razão para levar a sério as propostas de 850€ da CGTP e do PC porque, a história ensina, não pretendem estabelecer um plano de debate, informação mobilização e luta nas empresas e na rua que torne impossível à burguesia recusar essa justíssima reivindicação. E admito que o governo venha a aceitar a «audaciosa» proposta do BE…

Mas algo está a mudar e outras mudanças se avizinham.

A primeira mudança está exactamente na forma como estão a surgir lutas foram do controle das Centrais sindicais. Uma, a UGT, treinada na traição sucessiva aos interesses dos trabalhadores, outra, a minha central, a CGTP, que há decénios prossegue tácticas que a vida mostra não serem eficazes e serem incapazes de tocar amplas camadas de trabalhadores, muitas delas, desde a crise de 2008 em processo de proletarização e radicalização.

As ultimas greves mostram que cresce o descontentamento entre amplos sectores profissionais e em sectores chave da economia que podem-a paralisar como um todo. E que os exemplos podem espalhar-se com uma rapidez insuspeitável
Há o perigo de corporativismo, mas esse foi o caminho que a minha Central traçou quando não unificou sindicatos da administração publica, quando descurou sectores específicos de trabalhadores , quando enfim, foi-se desligando das bases sindicais e enredou-se cada vez mais na concertação (conciliação) social.
O compostamento da minha central neste processo foi aboslutamente vergonhoso, esquecendo o principio básico que dita a solidariedade entre trabalhadores “Trabalhador atacado não pode ficar isolado!”

A segunda mudança está na iminência de uma nova crise capitalista global que a imprensa especializada e até o Marcello reconhece como provável.

Esta será muito mais dura porque a burguesia não dispõe dos mecanismo que usou na crise de 2008. Ora se 200 (foi o que foi, com desemprego e empobrecimento massivo, privatizações e encerramento de serviços públicos, etc, imagina esta agora que está a chegar sem que a burguesia tenha outra alternativa senão atacar ainda mais duramente os trabalhadores, nos salários e serviços públicos.

geringonça 2.0? por favor nem pensar

O discurso social-democrata que tanto admiras – e sim, eu sei, tu és um social-democrata – vai ter efeitos devastadores naquilo que é necessário aos trabalhadores. Não ajuda nem um pouco a:

compreender o processo de acção do capitalismo,
senti-lo como antagónico aos seus interesses
organizar-se para resistir, juntar forças
e passar à ofensiva o mais depressa possível.

Isto é, resistir às ideias que sem fundam no reformismo,
alargar as ideias que rompem com o capitalismo,
organizar as forças e as lutas que rompem com o capitalismo,
criar a urgente necessidade de Revolução para dar resposta aos problemas de todos.

Eram estas as ideias que o BE e o PC deveriam estar a passar.

Infelizmente, não.
Contudo, votarei Socialismo contra o PS!

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